Regra de São Bento – trecho 099

Regra de São Bento – trecho 099

Foto da Madre Vera Lúcia

8 abril

8 agosto

8 dezembro

  [15] Como peças que guarnecem o leito, bastam uma esteira, uma colcha, um cobertor e um travesseiro. [16] Esses leitos devem ser freqüentemente revistados pelo Abade para que não haja ali coisas particulares. [17] E aquele com quem for encontrada alguma coisa que não recebeu do Abade, seja submetido a pesadíssimo castigo. [18] E para que este vício da propriedade seja amputado pela raiz, seja dado pelo Abade tudo o que é necessário, [19] isto é: cogula, túnica, meias, calçado, cinto, faca, estilete, agulha, lenço, tabuinhas, para que se tire a todos a desculpa de necessidade. [20] No entanto, considere sempre o Abade aquela sentença dos Atos dos Apóstolos que diz: “Era dado a cada um conforme precisava”. [21] Assim, pois, considere o Abade as fraquezas dos que precisam e não a má vontade dos invejosos. [22] Mas, em todas as suas decisões, pense na retribuição de Deus.

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Um comentário

  1. Para o dia de hoje, 8 de agosto, conforme o calendário da Ordem de São Bento (Ciclo de 8 de abril, 8 de agosto e 8 de dezembro), meditamos a parte final do Capítulo 55, 15-22; que trata da simplicidade do leito e do combate rigoroso ao vício da propriedade particular. ⛪️📜

    💡 Reflexão Consolidada: O Despojamento que Gera Liberdade

    A meditação de hoje nos ensina que a verdadeira paz não nasce da posse, mas da confiança total na providência de Deus mediada pela comunidade. 🛡️❤️

    A Cela como Espelho da Alma 🧘‍♂️🛌
    O leito monástico deve ser simples, como o de um soldado de prontidão. A cela e o leito são símbolos da vida pessoal do monge: o que guardamos neles é uma imagem do que somos. O descanso é visto como uma pausa breve para recuperar as forças para o serviço divino, e não um lugar de luxo ou acúmulo.

    O Combate ao Vício da Propriedade ✂️🚫
    São Bento é contundente ao exigir que a propriedade privada seja amputada pela raiz. O instinto de posse é um vício perigoso que se reproduz rapidamente, podendo transformar o espaço de repouso em um depósito de apegos. A vigilância da autoridade não é uma invasão, mas um ato de caridade para garantir que o monge permaneça livre e desapegado.

    O Despojamento Radical 👐✨
    O monge renuncia ao direito de prover para si mesmo, tendo-se entregue totalmente ao Senhor. Receber o que é dado e contentar-se com o essencial é o segredo da felicidade na vida comum. Ao colocar sua vida no altar, o discípulo espera tudo da bondade de Deus através da mediação de seus superiores.

    A Provisão da Dignidade 🧺📏
    Para que ninguém caia na tentação de acumular por medo da carência, a comunidade deve prover tudo o que é essencial, desde a agulha até o calçado. A sobriedade beneditina não se confunde com o desleixo; o necessário deve ser garantido para manter a higiene e o decoro, manifestando a face paterna da providência divina.

    A Justiça da Caridade ⚖️❤️
    Seguindo o exemplo da Igreja Primitiva, a distribuição deve ser feita conforme a necessidade. O equilíbrio comunitário exige sabedoria para dar mais a quem é fraco ou enfermo, sem que isso desperte a inveja dos mais fortes. A paz depende desse olhar misericordioso: que o necessitado se humilhe pela sua fraqueza e que o forte dê graças por sua saúde.

    Que hoje possamos examinar nossos “leitos” e corações, desapegando-nos do supérfluo para que Cristo seja nossa única e verdadeira riqueza! 🙌✨

    Irmão Emanuel, obl, OSB

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