Regra de São Bento – trecho 098

Regra de São Bento – trecho 098

Foto da Madre Vera Lúcia

7 abril

7 agosto

7 dezembro 

CAPÍTULO 55  – Do vestuário e do calçado dos irmãos 

[1] Sejam dadas vestes aos irmãos de acordo com as condições e temperatura dos lugares em que habitam [2] porque, nas regiões frias, tem-se necessidade de mais, e nas quentes, de menos. [3] Cabe ao Abade a consideração disso. [4] Cremos, porém, que, para os lugares de temperatura mediana, aos monges são suficientes uma cogula e uma túnica para cada um: [5] a cogula felpuda no inverno, fina ou mais usada no verão, [6] e um escapulário para o trabalho; para os pés: meias e calçado. [7] Não se preocupem os monges com a cor e qualidade de todas essas coisas, mas sejam as que se puderem encontrar no lugar onde moram e as que puderem ser adquiridas mais barato. 

[8] Providencie o Abade a respeito da medida, para que estas vestes não fiquem curtas para quem as usa, mas de boa medida. [9] Os que recebem novas entreguem sempre, ao mesmo tempo, as velhas, que devem ser recolocadas na rouparia, para os pobres. [10] Basta ao monge possuir duas túnicas e duas cogulas, para a noite e para poder lavá-las; [11] o que houver a mais é supérfluo e deve ser cortado. [12] E devolvam também os calçados e tudo o que está velho, quando recebem os novos. [13] Os que são mandados em viagem recebam calças, da rouparia, e devolvam-nas lavadas, ao mesmo lugar, quando voltarem. [14] Suas cogulas e túnicas sejam um pouco melhores que as de costume; recebam-nas da rouparia e, voltando, restituam-nas.

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Um comentário

  1. Para o dia de hoje, conforme o calendário da Ordem de São Bento (Ciclo de 7 de abril, 7 de agosto e 7 de dezembro), meditamos o Capítulo 55, que trata do vestuário e do calçado dos irmãos. ⛪️📜

    💡 Reflexão Consolidada: O Hábito da Humildade e da Decência

    A meditação de hoje nos ensina que o nosso modo de vestir reflete a ordem interior da alma e o nosso compromisso com o despojamento de Cristo. 🛡️❤️

    O Equilíbrio da Necessidade ⚖️🌡️
    São Bento demonstra seu senso prático e humano ao ordenar que o vestuário se adapte ao clima. A ascese beneditina não busca um sofrimento inútil através do frio ou do calor excessivo, mas uma “decente pobreza” que respeite a realidade geográfica onde a comunidade está inserida.

    Revestir-se de Cristo 🧥🙌
    O traje monástico não é apenas uma roupa funcional, mas um símbolo sacral. Revestir-se com o hábito significa participar do mistério de despojamento e humildade do Senhor; é o “manto real” da alegria de quem foi reduzido a pobre por amor a Deus. O hábito é, ao mesmo tempo, um sinal de unidade da comunidade e uma defesa contra as distrações do mundo.

    O Combate ao Vício da Propriedade ✂️🚫
    A determinação de possuir apenas o necessário visa cortar pela raiz o instinto possessivo. Podemos cair no erro de nos apegarmos até a “trapos velhos”, transformando nossa cela em um “bazar de farrapos” por puro espírito de posse camuflado. A verdadeira pobreza consiste em receber o que é dado e contentar-se com o essencial.

    O Destino da Caridade 🤝🍞
    O gesto de devolver as roupas velhas para que sejam dadas aos pobres é um pilar da economia espiritual beneditina. O que já não serve para a labuta diária do monge torna-se um dom para o Cristo que sofre no necessitado. Nada deve ser desperdiçado, pois tudo na “Casa de Deus” é tratado com reverência.

    A Nobreza da Sobriedade ✨🧘‍♂️
    Embora as vestes devam ser baratas e simples, o Abade deve cuidar para que sejam de “boa medida” e decentes. A sobriedade beneditina não é desleixo; o monge, consciente de ser templo do Espírito Santo, deve manter uma dignidade exterior que manifeste sua nobreza espiritual e o respeito pela presença divina.

    Que hoje possamos nos despojar de nossas vaidades e apegos, buscando a verdadeira beleza que nasce da simplicidade e da caridade para com os irmãos! 🙌✨

    Irmão Emanuel, obl, OSB

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