Regra de São Bento – trecho 117

Regra de São Bento – trecho 117

Foto da Madre Vera Lúcia

26 abril

26 agosto

26 dezembro

CAPÍTULO 68 – Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveis 

[1] Se a algum irmão são acaso ordenadas coisas pesadas ou impossíveis, que receba a ordem de quem manda com toda a mansidão e obediência. [2] Se vê que o peso do ônus excede absolutamente a medida de suas forças, sugira paciente e oportunamente ao seu superior as causas de sua impossibilidade, [3] não se enchendo de soberba, nem resistindo ou contradizendo. [4] Se, depois de sua sugestão, a ordem do superior permanecer em sua determinação, saiba o súdito ser-lhe isso conveniente [5] e, confiando pela caridade, no auxílio de Deus, obedeça. 

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Um comentário

  1. Para o dia de hoje, conforme o calendário da Ordem de São Bento, meditamos o Capítulo 68, que trata de como o monge deve proceder quando lhe são ordenadas coisas impossíveis. ⛪️⚖️

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    💡 Reflexão Consolidada: A Obediência no Limite do Humano

    A meditação de hoje nos apresenta um dos capítulos mais belos e humanos da Regra, revelando a sensibilidade de São Bento para com a fragilidade do discípulo e a força da graça divina. 🛡️❤️

    1. O Respeito à Subjetividade 👤💎
    As fontes destacam que este capítulo é próprio de São Bento (não constando na Regra do Mestre). Ele demonstra o desejo do Santo Patriarca de “personalizar” a vida monástica. Ao contrário de uma obediência cega e mecânica, Bento permite que o monge tenha uma conduta consciente e livre, reconhecendo que cada indivíduo tem limites e sentimentos próprios.

    2. O Diálogo da Humildade 🗣️🙇‍♂️
    São Bento não proíbe a representação. Se a tarefa parece exceder as forças, o monge pode (e deve) expor as razões de sua impossibilidade ao superior. As fontes ensinam que esse diálogo deve ser feito “paciente e oportunamente”, sem soberba ou espírito de resistência. É uma oportunidade de exercício da verdade e da transparência, onde o “ouvir” e o “falar” se encontram na caridade.

    3. O Silêncio do Vulcão Interno 🌋🤐
    Um ponto profundo da reflexão de hoje é o desafio de calar o tumulto interior. As fontes alertam que, muitas vezes, o que nos parece “impossível” é, antes de tudo, o silenciar de nossa própria vontade. Se nos calamos apenas por fora, mas mantemos a alma em agitação, somos como um vulcão aparentemente extinto que se prepara para uma erupção. A mansidão deve ser o hábito que pacifica o coração antes da ação.

    4. A Fé no “Saiba” 🧠✨
    A Regra usa o verbo “saiba” (*sciat*) para indicar que o monge deve convencer-se interiormente de que aquela ordem, por mais absurda ou penosa que pareça, é-lhe “conveniente”. Não se trata de uma resignação amargurada, mas de uma decisão de fé: as almas precisam desses “aniquilamentos” para subir aos cumes da santidade, confiando que Deus não nos prova além de nossas forças.

    5. O Auxílio de Deus na Caridade 🤝🔥
    O ponto culminante é a confiança no auxílio divino. Quando a ordem permanece, o monge deve obedecer “confiando pela caridade”. As fontes explicam que a obediência se torna então um ato de amor e imitação de Cristo, que foi obediente até a morte. O que é humanamente impossível torna-se divinamente realizável quando o “eu” se esvazia para que o Senhor realize a obra.

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    Que hoje possamos acolher as tarefas difíceis da vida com mansidão, transformando nossos limites em degraus de confiança na Providência e no Amor de Deus! 🙌✨

    Irmão Emanuel, obl, OSB

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