Regra de São Bento – trecho 101

10 abril
10 agosto
10 dezembro
CAPÍTULO 57 – Dos artistas do mosteiro
[1] Se há artistas no mosteiro, que executem suas artes com toda a humildade, se o Abade o permitir. [2] E se algum dentre eles se ensoberbece em vista do conhecimento que tem de sua arte, pois parece-lhe que com isso alguma vantagem traz ao mosteiro, [3] que seja esse tal afastado de sua arte e não volte a ela a não ser que, depois de se ter humilhado, o Abade, porventura, lhe ordene de novo. [4] Se, dentre os trabalhos dos artistas, alguma coisa deve ser vendida, cuidem aqueles por cujas mãos devem passar essas coisas de não ousar cometer alguma fraude. [5] Lembrem-se de Ananias e Safira, para que a mesma morte que esses mereceram no corpo não venham a sofrer na alma [6] aqueles e todos os que cometerem alguma fraude com os bens do mosteiro. [7] Quanto aos próprios preços, que não se insinue o mal da avareza, [8] mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, [9] para que em tudo seja Deus glorificado.

Um comentário
Para o dia de hoje, conforme o calendário da Ordem de São Bento (Ciclo de 10 de abril, 10 de agosto e 10 de dezembro), meditamos o Capítulo 57, que trata dos artistas e artesãos do mosteiro, e da retidão no trato com os bens produzidos pela comunidade. ⛪️📜
💡 Reflexão Consolidada: O Talento a Serviço da Glória de Deus
A meditação de hoje nos ensina que o trabalho criativo e a competência técnica, embora valiosos, devem estar sempre subordinados à humildade e ao bem espiritual da comunidade. 🛡️❤️
1. O Talento como Dom e Prova de Humildade 🎨⚖️
São Bento permite que os artistas exerçam seus ofícios, mas exige que o façam com “toda a humildade”. As fontes explicam que quem entra no mosteiro deve estar disposto a aprender e, se necessário, a deixar de fazer o que já sabia. O talento não é um direito de autoafirmação, mas uma oferta. O verdadeiro artista monástico reconhece que a habilidade vem de Deus, o único “artista verdadeiro” que cria maravilhas pelo amor.
2. O “Bisturi” contra a Soberba ✂️🚫
Se um irmão se ensoberbece por acreditar que sua arte traz lucro ou prestígio ao mosteiro, Bento ordena uma medida drástica: a suspensão do exercício desse ofício. As fontes destacam que a saúde espiritual do monge é prioridade absoluta. O Abade deve preferir a privação do ganho material ou até a carência de um serviço necessário a permitir que a “praga infecciosa” da soberba contamine o monge e a comunidade.
3. A Honestidade como Culto 🤝💰
Ao tratar da venda dos produtos, a Regra alerta contra a fraude, citando o exemplo de Ananias e Safira. As fontes lembram que o comércio monástico deve ser exercido com total transparência. Manipular os bens da “Casa de Deus” para benefício próprio ou com má-fé atrai a morte espiritual. O trabalho das mãos deve ser tão limpo e santo quanto a oração no coro.
4. A Distinção pela Generosidade 🏷️📉
São Bento estabelece que o mosteiro deve vender seus produtos “um pouco mais barato” que os seculares. As fontes explicam que isso visa erradicar o vício da avareza e diferenciar os monges daqueles que buscam apenas o lucro máximo. Essa prática transforma o comércio em um testemunho de desapego, mostrando que a vida é mais importante que o negócio. Se for necessário ganhar um pouco mais, que o excedente seja revertido em esmolas.
5. Ut In Omnibus Glorificetur Deus 🙌✨
O objetivo final de todo trabalho, arte ou transação comercial é sintetizado na célebre máxima: *”Para que em tudo seja Deus glorificado”*. As fontes reforçam que a beleza de uma obra monástica nasce da pureza de coração de quem a executa. Quando o trabalho é feito com humildade e retidão, ele se torna uma “Bíblia viva” e uma extensão da liturgia, conduzindo todos ao encontro com o Criador.
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Que hoje possamos colocar nossos talentos à disposição do próximo com humildade, buscando em cada tarefa não o nosso brilho pessoal, mas a glória de Deus e o bem comum! 🙌✨
Irmão Emanuel, obl, OSB
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