Regra de São Bento – trecho 071

Regra de São Bento – trecho 071

Foto da Madre Vera Lúcia

11 março

11 julho

10 novembro

CAPÍTULO 33 – Se os monges devem possuir alguma coisa de próprio 

[1]  Especialmente este vício deve ser cortado do mosteiro pela raiz; [2] ninguém ouse dar ou receber alguma coisa sem ordem do Abade, [3] nem ter nada de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete, absolutamente nada, [4] já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio nem o próprio corpo nem a vontade; [5] porém, todas as coisas necessárias devem esperar do pai do mosteiro, e não seja lícito a ninguém possuir o que o Abade não tiver dado ou permitido. [6] Seja tudo comum a todos, como está escrito, nem diga nem tenha alguém a presunção de achar que alguma coisa lhe pertence. [7] Se for surpreendido alguém a deleitar-se com este péssimo vício, seja admoestado primeira e segunda vez, [8] se não se emendar, seja submetido à correção. 

Tags: ,

2 comentários

  1. Para o dia de hoje, conforme o calendário da Ordem de São Bento (Ciclo de 11 de março, 11 de julho e 10 de novembro), meditamos o Capítulo 33, que trata da pobreza monástica e da renúncia radical à propriedade privada. ⛪️📜

    💡 Reflexão Consolidada: A Liberdade no Despojamento

    A meditação de hoje toca em um dos pilares mais sensíveis da vida comunitária: o desapego. São Bento é contundente ao classificar o desejo de posse como um “vício” que deve ser “cortado pela raiz”. 🛡❤️

    1. O Coração do Problema: O Vício da Propriedade 🛑🐍
    Para São Bento, a propriedade particular no mosteiro não é apenas uma quebra de norma, mas um veneno que fere o corpo comunitário. Ela alimenta o individualismo e a separação, afastando o discípulo da caridade perfeita. Cortar esse vício significa libertar o coração para amar a Deus e aos irmãos sem as amarras das seguranças materiais.

    2. A Entrega Total: Corpo e Vontade ⚓️✨
    O texto traz uma exigência radical: o monge não tem poder sequer sobre o seu próprio corpo ou vontade. Essa renúncia é o fundamento da vida consagrada. Ao professar, o cristão entrega sua vida inteira nas mãos de Cristo. Se não somos donos de nossa própria existência, muito menos poderemos reivindicar a posse de objetos simples. É o reconhecimento de que tudo o que somos e temos pertence ao Senhor.

    3. A Dependência do Pai do Mosteiro 🥣🤝
    Bento estabelece que tudo o que é necessário deve ser esperado do “pai do mosteiro”. Isso cria uma pedagogia da confiança e da humildade. Aprender a pedir e a receber, sem buscar acúmulos, treina a alma para a dependência da Divina Providência. A pobreza beneditina não é miséria, mas uma suficiência compartilhada com gratidão, onde o “suficiente” se opõe ao “supérfluo”.

    4. A Comunhão dos Atos dos Apóstolos 🕊📖
    “Seja tudo comum a todos, como está escrito”. Bento fundamenta sua instrução no modelo da Igreja primitiva, onde os fiéis tinham um só coração e ninguém chamava de seu o que lhe pertencia. Essa comunhão de bens é o sinal visível da unidade espiritual. Quando abrimos mão do “meu”, permitimos que o “nosso” resplandeça, transformando a comunidade em um ícone do Reino de Deus.

    5. Vigilância contra a Apropriação Sutil 📏🧠
    A Regra prevê correções para quem se deleita com o vício da posse. Bento sabe que o coração humano busca sempre pequenas “seguranças” e “privilégios” em coisas insignificantes. A ascese beneditina nos convida a usar as coisas com cuidado e respeito — como se fossem vasos sagrados do altar —, mas sem nunca nos sentirmos seus donos. A verdadeira riqueza é a posse do próprio Deus no silêncio de um coração despojado.

    Que hoje possamos exercitar o desapego, agradecendo por tudo o que recebemos e buscando a liberdade de quem nada possui, pois sabe que Deus é o seu único e verdadeiro Bem! 🙌✨

    Irmão Emanuel, obl, OSB

    #SaoBento #SantaRegra #PobrezaEvangelica #VidaComunitaria #Espiritualidade #Desapego #OraEtLabora #Humildade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *