Regra de São Bento – trecho 078

Regra de São Bento – trecho 078

Foto da Madre Vera Lúcia

18 março

18 julho

17 novembro  

CAPÍTULO 39 – Da medida da comida 

[1] Cremos que são suficientes para a refeição cotidiana, quer seja esta à sexta ou à nona hora, em todas as mesas, dois pratos de cozidos, por causa das fraquezas de muitos, [2] a fim de que aquele que não puder, por acaso, comer de um prato, coma do outro. [3] Portanto dois pratos de cozidos bastem a todos os irmãos; e se houver frutas ou legumes frescos, sejam acrescentados em terceiro lugar. [4] Seja suficiente uma libra de pão bem pesada, para o dia todo, quer haja uma só refeição, quer haja jantar e ceia. [5] Se houver ceia, seja guardada pelo Celeireiro a terça parte da libra e entregue aos que vão cear. [6] Mas, se por acaso tiverem feito um trabalho maior, estará ao critério e em poder do Abade acrescentar, se convier, alguma coisa, [7] afastados antes de mais nada excessos de comida, e de modo que nunca sobrevenha ao monge a indigestão, [8] porque nada é tão contrário a tudo o que é cristão como os excessos na comida, [9] conforme diz Nosso Senhor: “Cuidai que os vossos corações não se tornem pesados pela gula”. [10] Aos meninos de pouca idade não se sirva a mesma quantidade, mas sim menos que aos maiores, guardada em tudo a sobriedade. [11] Abstenham-se todos completamente de carnes de quadrúpedes, exceto os doentes demasiadamente fracos.

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Um comentário

  1. Para o dia de hoje, conforme o calendário da Ordem de São Bento (Ciclo de 18 de março, 18 de julho e 17 de novembro), meditamos o Capítulo 39, que trata da medida da comida. ⛪️📜

    💡 Reflexão Consolidada: A Sobriedade como Caminho para a Liberdade

    A meditação de hoje nos ensina que o domínio dos apetites sensíveis é o alicerce fundamental para a ordem da vida moral e espiritual. 🛡️❤️

    1. A Unidade entre Corpo e Espírito 🧘‍♂️✨
    Se o cristão não aprende a dar medida e disciplina aos seus apetites materiais, dificilmente conseguirá saborear as coisas de Deus. As fontes destacam que a ascese cristã não despreza a matéria, mas busca o domínio das faculdades físicas para abrir espaço ao crescimento do “homem interior”, que é a própria vida de Cristo em nós.

    2. A Regra de Ouro: Sobriedade 📏🍷
    Para São Bento, a sobriedade deve ser aplicada “em tudo”: comida, sono e palavras. O equilíbrio proposto — dois pratos de cozidos e uma libra de pão — reflete a discrição beneditina. Não se busca a miséria, mas a suficiência. As fontes explicam que a desordem no comer cria desordem na alma, enquanto o homem manso é, em grande parte, consequência de um homem sóbrio.

    3. A Discrição e a Flexibilidade ⚖️🩹
    Bento demonstra um senso prático admirável ao confiar ao Abade a autoridade de aumentar a porção em casos de trabalho pesado ou necessidade. O rigor da Regra nunca deve se sobrepor à caridade ou à saúde dos irmãos. A medida deve ser tal que “os fortes desejem mais e os fracos não achem demais”, removendo o perigo da indigestão, que entorpece o coração para a oração.

    4. O Sentido da Renúncia 🍞🚫
    A abstinência de carne de quadrúpedes e a limitação do pão são exercícios de “agere contra” (agir contra as inclinações egoístas). Ao renunciar ao excesso e ao prestígio da mesa, o monge se torna como o “cordeiro que recebe o sal da mão do pastor”, acolhendo com gratidão o que lhe é dado. A verdadeira alegria da pobreza beneditina é descobrir que Deus é o único Bem capaz de saciar plenamente a nossa fome de infinito.

    Que hoje possamos exercitar a temperança em nossos sentidos, permitindo que a nossa alma esteja leve e vigilante para o serviço do Senhor! 🙌✨

    Irmão Emanuel, obl, OSB

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